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Dear Moment/Guias

Perguntas para fazer aos avós, e como gravar as respostas

Por Zara Turner-Major, cofundadora do Dear Moment. Atualizado em 27 de outubro de 2026.

Resposta curta. As melhores perguntas para fazer para os avós são abertas e concretas: “Conta como era a casa onde cresceste” dá muito mais conversa do que “Tiveste uma infância feliz?”. Abaixo estão 57 perguntas, organizadas por fase da vida. Não escreva só as respostas: grave-as no telefone, em gravações curtas, ao longo de várias visitas ou chamadas, em vez de uma única entrevista longa. Peça autorização antes de gravar e guarde cada gravação num lugar seguro e privado no mesmo dia. No Dear Moment, pode gravar uma nota de voz, que é transcrita automaticamente, e escolher que familiares a podem ouvir.

Perguntas para os avós, por fase da vida

Não precisa de fazer todas as perguntas de uma vez. Leve uma ou duas para cada visita ou chamada. Se um tema não der conversa, passe ao seguinte. São perguntas para a avó e para o avô: todas servem para os dois.

Pouco tempo? Comece pelas perguntas 1, 4, 21, 27, 39, 52 e 56.

Infância

  1. Conta como era a casa onde cresceste. O que se ouvia da cama, à noite?
  2. O que se comia em dia de festa na tua infância?
  3. Com que brincavas, e com quem?
  4. Como eram os teus pais? O que aprendeste com eles?
  5. Por que motivo ficavas de castigo quando eras criança?
  6. O que sabias fazer quando tinhas a minha idade que hoje quase ninguém aprende?
  7. Quem eram os teus avós, e o que recordas deles?

Escola e juventude

  1. Como ias para a escola? Era longe de casa?
  2. De que disciplina gostavas mais? Há algum professor ou professora de quem ainda te lembras?
  3. O que fazias depois das aulas, quando não havia adultos por perto?
  4. Que música ouvias aos 16 anos?
  5. Qual foi a maior travessura que fizeste?
  6. Que canção ainda sabes de cor, do princípio ao fim?
  7. O que querias ser quando crescesses?

Trabalho

  1. Qual foi o teu primeiro trabalho, e o que compraste com o primeiro dinheiro?
  2. Como era um dia normal de trabalho?
  3. De que trabalho gostaste mais?
  4. Quanto custava um pão, ou uma ida ao cinema, naquele tempo?
  5. Quem te ensinou a profissão?
  6. Houve algum trabalho que preferias esquecer?

Namoro e casamento

  1. Como conheceste a avó (ou o avô)? O que pensaste na primeira vez?
  2. Como foi o primeiro encontro de verdade?
  3. Como foi o casamento? De que te lembras bem desse dia?
  4. Onde moraram juntos pela primeira vez?
  5. Sobre o que discutiam mais, e como faziam as pazes?
  6. Que música dançavam juntos?

Ser mãe ou pai

  1. Como era a minha mãe (ou o meu pai) nos primeiros anos? E eu?
  2. O que foi mais difícil quando os filhos eram pequenos, e o que ajudou?
  3. O que é diferente hoje na forma de criar os filhos?
  4. Que regra da casa os filhos detestavam?
  5. Que história contavas aos filhos antes de dormir?
  6. Qual foi o dia em que tiveste mais medo, como mãe ou pai?

Ser avó ou avô

  1. Como soubeste que ias ser avó (ou avô)?
  2. O que gostas mais de fazer com os netos?
  3. O que é diferente entre ser mãe ou pai e ser avó ou avô?
  4. O que é que os netos fazem que te faz lembrar os teus filhos?
  5. Que nome de avó ou de avô escolheste, e qual foi o que ficou?
  6. O que queres que os netos saibam sobre a família?

Casa, comida e festas

  1. Como era o Natal na tua casa? O que se comia?
  2. Que prato a tua mãe ou a tua avó fazia melhor do que ninguém?
  3. Como fazes o teu bolo de maçã (ou a sopa, ou o arroz de domingo)? Conta como fazes de verdade, não como está escrito.
  4. Qual foi o aniversário de que nunca te esqueceste?
  5. Que tradição da família veio dos teus pais?
  6. Nas festas, o que é que alguém da família dizia ou fazia sempre?
  7. Que animais tiveram em casa, e como se chamavam?

Mudanças e o mundo de antes

  1. O que mudou mais desde que tinhas a minha idade?
  2. De que notícia te lembras bem? Onde estavas quando soubeste?
  3. Quando tiveram o primeiro telefone, a primeira televisão, o primeiro carro?
  4. Como combinavas encontros com os amigos quando não havia internet?
  5. Alguma vez te mudaste para outra cidade ou outro país? Como foram os primeiros tempos?
  6. Do que tens saudades desse tempo, e de que não sentes falta?

Conselhos e o que ficou

  1. Do que tens mais orgulho?
  2. O que dirias hoje à pessoa que eras aos 20 anos?
  3. Que decisão mudou mais a tua vida?
  4. O que só aprendeste tarde e querias ter sabido antes?
  5. Que história da tua vida os netos deviam conhecer?
  6. Se pudesses viver outra vez um dia da tua vida, qual seria?

Como fazer as perguntas

Uma boa pergunta basta para uma gravação. O resto vem das perguntas seguintes: “E depois?”, “Como te sentiste?”. Aguente os silêncios e não passe logo à próxima pergunta. O melhor detalhe aparece muitas vezes depois de uma pausa. Se uma história sai diferente da versão que conhece, não corrija.

Deixe os netos perguntar. Os avós não respondem a uma criança de cinco anos como respondem a um adulto. Sugira uma pergunta ao seu filho e grave a resposta. Fica com a voz da avó ou do avô e a voz da criança na mesma gravação.

Como surgiu este guia

Foi sobretudo a avó Nene que criou a minha irmã Nargiz e a mim quando éramos pequenas, porque a nossa mãe trabalhava muitas horas. Cozinhava para nós, falava da escola com as duas e gostava muito de nós. Éramos as duas muito próximas dela.

Contava histórias muito engraçadas sobre os sonhos em que aparecia Ronaldo. Lembro-me da maneira como ria e dos conselhos dela sobre aceitar a vida. Morreu no ano passado. Temos fotos dela, mas nenhuma gravação da voz dela.

Avó Nene com Zara e Nargiz
A avó Nene com Nargiz e comigo.

Gravações curtas em vez de uma entrevista com os avós

Muitos guias descrevem uma entrevista com os avós como uma conversa marcada: uma lista de perguntas, uma sala silenciosa, uma hora ou mais. Algumas famílias fazem isso bem. Para outras, uma entrevista formal é fácil de adiar, e há avós que se sentem como se estivessem num exame.

Gravações curtas são mais fáceis para todos: de 30 segundos a 2 minutos, feitas quando a ocasião aparece, no almoço de domingo, numa videochamada, com um neto no colo. Também são mais fáceis de encontrar e de ouvir mais tarde do que uma gravação de uma hora. E não ficam à espera da ocasião certa, que é o que acontece a muitas listas de perguntas para fazer à avó “antes que seja tarde”.

12:02
Como a avó conheceu o avô
dom. · 8 mar.
AAvó Helena
Fotos 2
1:48
Ocultar transcrição
Transcrição

Foi num baile no salão da cidade, na primavera de 1962. Primeiro ele chamou a minha irmã, sabe? Ela disse que não, então ele veio até mim. Pisou no meu pé duas vezes, e mesmo assim eu disse sim para a dança seguinte.

A história dela na própria voz, ao lado das fotos, e escrita para ler depois.

O que gravar além das respostas

Comece pelas coisas pequenas. São rápidas de gravar e são as que mais se esquecem:

  • A gargalhada. Ninguém ri quando lhe pedem. Deixe a gravação correr depois de uma história.
  • O nome do seu filho, dito pela avó ou pelo avô. E os nomes carinhosos que usam para os netos.
  • Um olá e uma despedida. O que dizem sempre ao atender o telefone, ou antes de desligar.
  • Uma canção. Sobretudo a que cantavam para os filhos dormirem, ou uma da infância deles.
  • Uma receita contada em voz alta. Não a receita escrita: a versão com “um punhado” e “até ficar no ponto”.
  • Uma história lida a um neto. A criança pode voltar a ouvi-la na hora de dormir.
  • Expressões regionais ou de outra língua. Ditados, bênçãos, e a maneira como chamam os netos.
  • Um conselho. Pergunte “Que conselho queres deixar aos netos?” e depois não diga nada.

Como gravar as respostas no telefone

Não precisa de microfone nem de um programa especial. O gravador de voz do telefone basta. Mais importante do que o equipamento são uma sala silenciosa e alguns hábitos:

  • Pedir autorização, todas as vezes. Diga para que é: “É para as crianças, não é para pôr na internet.” Nunca grave às escondidas.
  • Pôr o telefone na mesa. A cerca de um braço de distância, virado para baixo. Um telefone apontado para o rosto, como um microfone, deixa quase todos tensos.
  • Procurar silêncio. Desligue a televisão e o rádio, e fique longe da cozinha e da janela. Sofás e cortinas ajudam. Uma cozinha com azulejos faz eco.
  • Ouvir os primeiros dez segundos. Ouça o início antes de continuar. Mais vale descobrir um problema agora do que em casa.
  • Escolher a hora certa. Se a avó ou o avô se cansa depressa, faça gravações curtas, na hora do dia em que tem mais energia.
  • Deixar a gravação correr. Não pare logo que a história acaba. A gargalhada, o “ah, e mais uma coisa”, a discussão sobre o ano certo: muitas vezes é a melhor parte.
  • Dizer a data e quem fala. No início da gravação, ou por escrito logo a seguir. Daqui a dez anos, ninguém vai saber de que Natal era.

Quando os avós moram longe

Muitas famílias vivem longe dos avós: os avós no Brasil e os netos em Lisboa, ou os avós no Porto e os netos em Londres. Se os seus filhos ouvem os avós sobretudo ao telefone ou em videochamadas, também pode gravar essas conversas:

  • Chamadas no iPhone. Em algumas regiões e idiomas, o iPhone grava chamadas. Segundo a Apple, as duas pessoas ouvem um aviso de gravação, e a gravação fica guardada nas Notas do iPhone. A Apple também pede que confirme primeiro que a outra pessoa concorda.
  • Viva-voz e um segundo aparelho. Ponha a chamada em viva-voz e grave com outro telefone ou um tablet. A qualidade é mais baixa, mas funciona com qualquer telefone e qualquer serviço de chamadas.
  • Videochamadas. Peça à avó ou ao avô que segure o telefone quieto e perto, ou peça a alguém do outro lado que grave um vídeo curto e o envie.
  • Mensagens de voz no WhatsApp. Muitos avós já mandam áudios pelo WhatsApp. Ficam na conversa e podem perder-se quando se troca de telefone ou se apaga a conversa. Guarde os que quer manter: o WhatsApp explica na Central de Ajuda como exportar uma conversa.

As regras sobre gravar chamadas mudam de país para país. Seja qual for a regra, avise e peça autorização primeiro.

Se os avós falam outra língua em casa, grave na língua em que pensam e contam piadas. Numa segunda língua, as histórias muitas vezes perdem a graça. Depois, acrescente uma nota curta em português, para que toda a família saiba do que trata a gravação.

Se a saúde ou a memória começarem a falhar

Faça sessões curtas. Temas conhecidos e músicas antigas costumam funcionar melhor do que perguntas sobre datas e nomes. Se uma história sai diferente daquela de que se lembra, não corrija. Se o dia não é bom, tente outro dia, ou grave só a conversa com os netos.

Guardar as gravações em segurança

Muitas gravações perdem-se depois de feitas. Ficam no gravador do telefone ou numa conversa do WhatsApp e desaparecem quando se troca de telefone ou se apaga a conversa. No dia em que gravar, faça três coisas:

  1. Dar um nome. Quem, o quê e quando: “Avó Teresa, canção, 12 de outubro de 2026”.
  2. Fazer uma segunda cópia. Num lugar diferente do telefone onde gravou.
  3. Escrever uma linha de contexto. De que trata a história, quem estava presente e o que alguém precisa de saber para a entender.

Pense também no destino das gravações. A avó ou o avô aceitou ser gravado para a família, não para uma publicação. Guarde as gravações num lugar privado. E tenha cuidado com serviços que prometem criar uma cópia da voz com IA: pergunte antes de enviar a voz de alguém para um deles.

Onde entra o Dear Moment

O Dear Moment é um diário privado da família para fotos, vídeos, textos e notas de voz. Pode gravar uma nota de voz no Dear Moment, e a transcrição é automática, também em português. Assim, cada gravação pode ser lida e ouvida. Cada momento tem data, por isso as gravações ficam organizadas por data, ao lado das fotos do mesmo dia. Escolha quem vê cada momento: a canção da avó para toda a família, outra gravação só no seu diário. Os familiares abrem o que escolher mostrar num link privado, sem precisar de app nem de conta.

Nada fica público e não há anúncios. Os seus dados ficam guardados na União Europeia e nunca são vendidos nem usados para treinar IA, incluindo as gravações de voz. Pode pedir para exportarmos tudo, sempre que quiser. Compare o Dear Moment com outras opções na nossa página de comparação.

Perguntas frequentes

Que perguntas fazer aos avós?

Perguntas abertas sobre a infância, a escola, o trabalho, o namoro, os filhos e os netos. As que começam com “Conta como era…” funcionam melhor do que as que se respondem com sim ou não. Uma pergunta basta para uma gravação. Depois, pergunte “E depois?” e deixe a pessoa falar.

Qual é a melhor forma de gravar a voz dos avós?

Com o telefone que já tem. Ponha-o na mesa, entre os dois, e faça gravações curtas em várias visitas, em vez de uma entrevista longa. Comece pelas coisas pequenas, como a gargalhada ou a forma como dizem o nome do seu filho.

Preciso de um microfone?

Não. Um telefone recente, numa sala silenciosa e a cerca de um braço de distância, basta. Desligue a televisão, afaste-se da cozinha e ouça os primeiros segundos antes de continuar.

Como gravar os avós quando moram em outro país?

Peça autorização e depois grave a chamada. No iPhone, a gravação de chamadas existe em algumas regiões e idiomas, e as duas pessoas ouvem um aviso de gravação. Também pode pôr a chamada em viva-voz e gravar com um segundo aparelho. Chamadas curtas e frequentes funcionam melhor do que uma conversa muito longa.

E se os avós não quiserem ser gravados?

Respeite a decisão e nunca grave às escondidas. Explique que a gravação é para os netos e que não vai ser publicada na internet. Muitas pessoas ficam mais à vontade quando só têm de ler uma história ou cantar uma música, em vez de responder a perguntas sobre a vida.

Fontes

  • Gravação de chamadas no iPhone, consultada em 26 de outubro de 2026: Suporte da Apple, “Grave e transcreva uma ligação no iPhone”
  • Exportação de conversas do WhatsApp, consultada em 26 de outubro de 2026: Central de Ajuda do WhatsApp, “Como exportar seu histórico de conversas”
  • Dear Moment: preços e perguntas frequentes, política de privacidade (em inglês), quem somos (em inglês)

Sobre a autora. Zara Turner-Major é cofundadora do Dear Moment. Fundou a ALZA e a WoWoman. É mãe e tem família no Reino Unido, no Azerbaijão e na Ucrânia. Saiba mais sobre quem somos (em inglês).

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